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*Instante*
Simples assim
Receita de liquidificador
Sem muito tempo pra assar as palavras
Nem adormecer as emoções.
É disso que gosto:
Café expresso.
Pão na chapa de manhã.
Pizza em casa de noite.
Delicados prazeres
Instantâneos à mão
Saciadores de fome
Urgente, de repente - existo.
Nada de muitas regras,
Explicações longas,
Tempo de carência
Tudo aqui.
Instintivo, como perfume.
Exato, exato e ponto.
Sujeito, verbo e predicado.
Um pensamento perfeito.
É assim que a vontade
Não encontra espaço
Pra diminuir, decair
Pra ser apenas lembrança.

Escrito por Kathy às 20h03
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*antônimo*
Quando eu falo que gosto de você de um tanto sem fim,
explico da maneira mais simples, tal qual uma criança fala seu nome
sem respiração entre as palavras,
sem retirar o embrulho do presente.
Assim puramente, sem maiores complicações -
nem facilidades que você possa perceber -
dito uma frase solta, como retrato falado,
mas que está presa, incontinenti, a uma parcela (minha) de existir.
Ao mesmo tempo que já disse o que era secreto
desvendo-me, sem retorno, para o que é inevitável: sua compreensão;
e então já não é mais possível resgatar o sentimento palavreado
nem represar a palavra contida na emoção sentida.
Saindo pela minha boca e depois expresso pela sua,
vejo que me atirei num precipício sem fundo
onde não posso mais sacrificar o corpo pelo espaço
nem conter o ar pelo peso das possibilidades.
E o que não me pertence mais, e que ficou no meio do caminho,
não tem mais a mesma beleza, eis que transformado em dilema.
E o que era tão grande e casto, liberto e sensível,
virou raciocínio de livro, modelo de conduta ou algo assim.
O vazio que está aqui dentro - molde do que ficou -
é comovido de intensa saudade dos melhores amores que nunca findam.
E por não terem termo, quando reencontram seu pares
Gozam de profunda completude de encontrar esse mesmo sentimento no outro.
Tudo o que escrevo elipticamente com o alfabeto
fala de um amor sem gênero, sem idade e sem escolha: universal.
Digo o que sinto de uma forma muito inferior ao que já é, sem que fosse desvelado.
Mas quando VOCÊ diz o que EU sinto por você, fico reduzida a uma máquina de sentir.
Quando falo que gosto de você, estampo uma verdade real, um pleonasmo de sentimentos
que se você não apreende dessa mesma forma, ingênua e verdadeira, humilha o meu amor,
reduz meu sentimento a logicidade cotidiana tão menor do que existe de fato
que fico pequena, diluída e impura: antônimo de mim.

Paul Klee.
Introducing the Miracle. 1916.
Escrito por Kathy às 00h08
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*Lápis sem papel*
Eu queria escrever algo que emocionasse. A mim e a você. Que se possa ler as linhas e sentir o que escorre por dentro do papel. Exalar o cheira da tinta, a transpiração da mão. Queria mesmo escrever algo vivo. Entende?
Queria escrever algo que tocasse. Música? Pode ser. Que carregasse algo de lúdico nas entrelinhas, que restasse inesquecível. Queria impressionar. Pressionar a caneta sobre o papel e marcar de forma definitiva um sentimento. Entende?
Queria escrever algo que não se pudesse soletrar. Nem ler, nem entender. Que fizesse apenas chorar. Que inspirasse um sentimento invisível, ininteligível, sensível – em rimas e em dízimas. Queria escrever algo não matemático. Entende?
Queria apenas traduzir emoção em palavras. Ou não. Que chegasse perto do selvagem que existe em você. E devorar-te. Queria escrever um texto alucinado, febril, sabe?
Queria escrever algo que te desarrumasse por dentro. Que retratasse a fina estampa de como estou. Que sacudisse seus brios e o tornasse mais valente pra mim. Queria escrever algo corajoso. Entende?
Queria escrever algo transgressor. Ou conservador. Depende da interpretação aí do outro lado. Queria ser do contra. Provocar, insultar. Queria provocar arranhões em mim. Entende?
Eu queria mesmo era escrever. Descrever. A mim e a você. Como se possível fosse delinear todos os matizes de existir. Queria dissecar a marola calma e morna que vem de nós. E encontrar uma concha. Queria subverter. Entende?
O que quero e que não escrevo é o que justamente fica. Ou não. A parte que sobrevoa estas linhas. O que não está dito. O que reflui de mim pra você e vice-versa. O que não está aqui é de uma existência muito mais coerente do que poderia, eu, escrever. Entende?

Piet Mondrian. Broadway Boogie Woogie. 1942–43.
*Um 2008 cheio de inspiração, sorrisos e beijinhos para todos!
Escrito por Kathy às 10h14
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*a -pena-s*
Como saber da fábula
sem desfrutar do conto,
encantamento hieróglifo nosso
gravados na mundana história?
Como esticar as horas
nas mesmas frações de felicidade
partilhadas e detectadas,
Re-pe-ti-da-men-te?
Como ver olhos meus
contidos nos seus sorrisos,
inflamados pela vida pungente
que sopra tão clandestina em mim?
Como represar o amor -
este existente entre nós
que se esquiva, esvazia
as linhas , apenas indo?
Como escolher a verdade
mais secreta e nua,
apenas a essência do que há
Se o que poderia ser, já foi?
Como faço para paralisar o dia,
exorcizar os momentos vindouros
da praga interna de cada um
e nos fazermos inteiros?
Como recolher seus medos,
invadir seus desertos
sem perder-te dentro de mim
Assim?
Tudo por tão pouco. Em muitos sentidos. Todos.

Salvador Dalí. (Spanish, 1904-1989). The Persistence of Memory. 1931
*resposta ao silêncio e vice-versa.
Escrito por Kathy às 19h20
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*inteiro*
Parte sua define o som. Aquele silêncio meticuloso promovido pela retina interna das emoções. É percepção de ruído inexistente. Resíduo de memória.
Parte sua ouve. Classifica as notas. Descompassa os movimentos. Agride a composição ou dele se utiliza como marca d’água para seus sentimentos.
Parte sua fala. As palavras inconsistentes do seu vocabulário interno. Não escolhe o termo. Derrama frases sem sentido vernáculo – absoluta correspondência com o invisível. E se faz entender.
Parte sua cala. Sabe bem as frases. As inadequações da redação. Acerta numa escritura literária desvairada. Entende-se consigo próprio.
Parte sua pensa sobre as emoções. Permite que criem vida própria em si. Ocupa-se do lúdico. É irresponsável com a realidade. É digno com sua condição humana.
Parte sua sente. Distingue os matizes das atitudes. Desenha proporções com significados pertinentes. Acerta e erra.
Parte sua deve ser você. Pode ser você. E muitas vezes, é bom que seja parte de você. Porque é o concreto. É a visão armada da visão factível da verdade.
Parte sua, apenas é. Independentemente do mundo do dever-ser. Existe de uma crueza animal, simplória, respeitável. Inteligível por mim. Algumas vezes negada por você, ou parte sua.
E, todas as frações de você são miscíveis dentro do enorme frasco de humanidade que você é. A complexidade sua é o que me encanta. A assunção dessas partes saborosas de você, por você mesmo, é que me fascina. Eu me tranqüilizo com sua unicidade repartida.
Ah! Você, em partes, é, para mim, parte inteira.

Sidewalk Cafe, Boulevard Diderot
Henri Cartier-Bresson
*para o Rô
Escrito por Kathy às 16h59
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*paixão*
Quando um sentimento desponta
fora do horário do amanhecer
fico com quatro mãos,
sem posição para guardar o presente.
Não faço pose certa -
sou capturada sem perceber,
num retrato preto e branco
de emoções cintilantes.
Nessa dança irregular,
pelo sim - pelo não,
ajeito o cabelo
e preparo o coração.
Mas, no instante seguinte,
o vento que sopra da sua direção
desarranja-me, so-le-ne-men-te,
para me amoldar a você.
Acabo sem saber
o momento cirúrgico
da aceitação pela palavra
ou do silêncio pela (in)atitude.
E sobro, nesta divisão,
agitada entre o “ir” ou “voltar”,
sem perceber que
poderia, somente, retribuir o agrado.
Sentimentos deveriam apresentar-se com manual de instruções.

Pieter Cornelis Mondrian
Açucena - depois de 1921
Aquarela e Lápis de cor sobre papel 25 x 19,5 cm
*sentimento antigo, poema novo.
Escrito por Kathy às 19h25
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*bem-te-vi*
Hoje, um post "incomum", assim como a visita que recebi....
Eis que entro na sala de casa, que fica sempre com a janela da varanda aberta e vejo um pássaro sobre um enfeite de madeira na frente do sofá. Corri, peguei a Moby no colo, para que ela não latisse, e ficamos nos "encarando". Ele com um peito amarelo-ouro , cabeça preta com uma faixa branca olhando para mim, a um passo de distância. Eu: com os olhos arregalados de susto, calelos loiros e peito branco (já que a Moby estava no colo, rs*******). Eu muda. Ele piou e saiu voando através do janelão e sumiu entre os galhos da árvore; e, nós ficamos na varanda esperando seu retorno.
Detalhe: não sabíamos o nome um do outro. Pesquisei pela internet (urbana é pouco, né?) pra saber que bicho era: um bem-te-vi. Ele continua sem saber o meu....
Coloco foto retirada da internet, por enquanto, mas vou deixar a digital a postos pra não perdê-lo de vista e da lente, ainda que do lado de fora. Beijinhos e alguém o viu por aí?


Ah! ha! te peguei hj 03/11 às 15,15 na varanda, né? rs*********
Escrito por Kathy às 19h40
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*Flash*
A fumaça do cigarro azulada cobre de magia o ar. Direciona meu olhar para o simples, para o volátil. Desaparece. E o pensamento também. Fica exatamente o retrato do instante em que se pensa que o rabisco promovido no ar é lindo. Distraidamente etéreo. Transporto-me para meus pensamentos.
E as idéias saem assim embaralhadas muitas vezes, sem motivo palpável para inspiração literária. Mas há alguma inspiração que não seja efêmera?
E com estas observações simplistas , de dentro do carro, na Avenida Paulista, nem percebo que o rádio não está ligado, como sempre. Meus pensamentos me fazem companhia. E quase não preciso de mais nada. Nem de prestar atenção ao tráfego, nem aos ruídos externos. Aqui dentro está tudo em harmônica efervescência.
Uma cadeia de imagens entre uma tragada e outra é o mundo em que existo perfeitamente, sem retoques, nem desejos mais hostis.
E tudo, neste silêncio, me apraz. Estou completamente acompanhada de mim. Pronto, o cigarro acabou.

Ícaro - Henri Matisse - 1947
Escrito por Kathy às 07h17
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*ADVERTÊNCIA*
Queridos amigos: os comentários, por tempo indeterminado, serão moderados; tudo para dificultar a ação de pessoas mal intencionadas. Continuem comentando, por aqui ou por e-mail. Desculpem-me por este incoveniente.
Beijinhos a todos, Kathy
(restante do "post" retirado, permanecendo a advertência)
Escrito por Kathy às 15h55
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*Aqui*
Os galhos das árvores se agitam aqui na varanda. E junto com eles meus pensamentos. Eu me sinto bem nesses dias bem frios e com vento, mesmo não tendo dormido a noite toda. É que a Moby estranha a casa nova e cumprimenta, com seus latidos, tudo o que não existia: o vento, o barulhos das árvores, o ruído dos passarinhos, o tac-tac de outra geladeira, o splash do aromatizador. Ela brinca com seus novos amiguinhos, e briga comigo, pois não me deixa fechar os olhos.
Estranhamente fico com um olho fechado (o que quer dormir) e com o outro aberto ( o que não quer ou não pode) e tudo: sons, aroma, companhia ratificam a certeza de que sou uma pessoa muito feliz.
Tudo aqui é bem diferente da outra casa, tanto por dentro como por fora – o mesmo comigo. O de que mais gosto aqui são as varandas e os janelões, onde a Moby bateu seu focinho na tentativa desesperada de sair. Eu, mesma, me divirto com pouca coisa, mas contando que aqui há muita coisa, estou como criança com brinquedo novo, testando tudo, tocando tudo..... e sorrindo e rindo fartamente.
Até o barulho da padaria aqui de frente não me incomoda – é que a funcionalidade da padaria é maior do que o incômodo que seus freqüentadores apresentam. Ouço ao longe o som da rua , das risadas altas, vozes de pessoas enquanto estou entretida dentro de mim, ligeiramente ansiosa pelo dia seguinte, pelas horas seguintes, pelos anos seguintes. Não que tenha pressa de viver e sim prazer em viver.
A certeza de estar onde mais queria estar é um conforto. Chegar em casa é um dos meus prazeres favoritos. E atualmente é um passeio apenas permanecer por aqui. Enfim, estou.

Ademir Martins
(acrílica s/ tela)
Escrito por Kathy às 16h01
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*Home sweet home*
Amigos, queridos: hoje estou mudando-me definitivamente. Ficarei alguns dias sem internet até o restabelecimento da rede com e sem fio. Feliz da vida e cansada! Beijinhos com carinho, kathy
Escrito por Kathy às 05h51
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*adição*
Quando a sua voz aparece
Tão grave
Tão fortemente gravada
Minha boca cala.
Fico muda
Dos meus sons
Invisivelmente perturbada
Pelo barulho seu.
E nesta dança
Com ritmo de pensamentos
Colo meu rosto no seu
Para saber-te dentro de mim.
É que não percebo
Que o que de você desprendeu
Eu já colhi
E estou, assim: maior.

Tina Modotti. (Italian, 1896-1942). Roses, Mexico. 1924. Palladium print, 7 3/8 x 8 1/2" (18.8 x 21.6 cm).
*para N.D.
Escrito por Kathy às 18h19
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*a serenidade do tempo é um bálsamo*
Guardo a identidade no bolso, não preciso mais das etiquetas, tampouco das datas que refazem os atalhos pelo que cheguei até aqui. Encapsulo a sensação conformadora de que o caminho todo foi necessário , e por uma estranha sensação-sensacional esotérica, como não acreditar em destino?
Acreditaria mais se colhesse mais glórias do que já acumulo, talvez eu não soubesse conduzir, ainda, este ser chamado vida. Na verdade, não me tornei profissional das estradas, apenas escolhi outras, que sendo mais estreitas, me fizeram aprender à força.
E, hoje, os excertos dos dias parecem mais claros e amplos e é sempre a sensação apaixonada do começo.
Às vezes, clandestinamente, recupero frações da memória, mas por sorte ou conseqüência não fazem mais qualquer sentido, nem têm qualquer utilidade atualmente. Decifro, descarto e passo pra próxima atividade deste meu interno mundo.
E não raro surpreendo minha boca num sorriso fácil e real. Domino meu passado e acredito que o acaso nada mais é que a lenda chamada “vida” rebordada por coincidências tristes e alegres que denunciam, ao final, apenas a respiração do ser vivente.
É sempre bom ter nos arquivos dos dias a cartilha pronta para aprender e também o manual para fazer o “certo” – o certo individual – e não cair pisando em poças d’água. Preferível afogar-se no lago próprio dos olhos de onde se vê a saída.
Quando tudo é possível, não há entraves para a mente, a realização de desejos e sonhos é apenas uma certeza condicionada ao esforço pessoal, um dedinho de sorte e muita torcida espiritual.
Posso mudar de casa, como de fato estou, levando uma bagagem muito leve e necessária. O supérfluo, o inútil e tudo o que me causa mal fica por aqui, entre todas as outras coisas que já se destacaram pelos dias. Tudo isso tem cheiro de carro novo. Agora é só dirigir.
A felicidade de Viver- Henri Matisse - 1905
*special thank's: mamy, vó, gê, giu, sil e queridos amigos
Escrito por Kathy às 10h21
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*about being happy*
O mês de julho chegou secreto,
como eu -
tímido que nem percebi,
nem a mim.
E o melhor do segredo,
penso eu,
é que mais satisfação dá
não saindo de mim.
Nesta luta saborosa,
sinto eu
apenas o gosto do mistério,
além de mim.
Eis que o silêncio:
Eu , nele -
extravasa para todos os cantos
contentamento despudorado meu!

Hope II, Gustaf Klimt, 1907-08, Museum of Modern Art, New York
* obs: não estou grávida, como pode sugerir a pintura de Klimt! Estou, sim, plena de alegria - o que é vida também!
"tim-tim" a este primeiro semestre de 2007!
Escrito por Kathy às 10h37
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*confio em ti*
Confio em você com devoção;
da fé mais alvejada
no secreto milagre
que nos colocou frente a frente.
É a mais delicada prece
que lhe dedico - ostento
sua imagem dentro da minha,
como quem reza no escuro.
Surpreendo meus pensamentos
atrelados aos seus;
e não estão desacompanhados-
têm sua proteção.
E quando me vejo,
é o mesmo que lhe sentisse:
não pelo que imagino ser (eu),
mas, exatamente, pelo que é (você).
Confiar em alguém é como pertencer. É ter-se dentro do outro com tamanha tranquilidade, que se esquece que sejam duas pessoas. É uma oração, onde se pede e se agradece ao mesmo tempo, no desespero confuso de poder-se tudo. É uma confissão de humanidade. De erros secretos , de prazer ininteligíveis. A confiança é indivisível. Não se mede, não se pede, não se desculpa: existe de “per si”.
Confiar em alguém é doar um pouco de si ao outro. É creditar-lhe seus melhores valores, subtraindo-se seus possíveis defeitos. É a cegueira premeditada e querida que alicerça o mundo. A confiança desfila sentimentos elegantemente sem medo de se tropeçar. Confiar é escrever uma crônica do cotidiano com poesia.
E porque confio não estou só. E estando acompanhada não me divido. A confiança nasce misteriosamente.
Confiar em alguém é o infinitivo de sagrado, se existir. A confiança não se explica em palavras, prosa ou versos. Confiar é um ato de fé. É o encontro natural de seres de vontades respeitadas. A confiança é misericordiosa.
Confiar em alguém é ver-se pelos olhos do outro. E, também, ver-se a si mesmo naquele. É entrega e muitas vezes substituição do existir. A confiança é o olhar mais terno e poderoso sobre o outro. Confiar rima com amar. E não é coincidência.
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Kandinsky, Wassily |
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Composição Clara, 1942 |
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Óleo s/ tela |
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73,0 x 92,3 cm |
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Doação de Francisco Matarazzo Sobrinho
*Entre algumas pessoas especiais em quem confio, este fora inspirado pela Sil M.! |
Escrito por Kathy às 18h12
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