...Semeando Palavras... (por Katheryne Nazer)


*assim caminha a humanidade*

Quando justifico meu passado na linha do hoje, os dias são passados a limpo de uma maneira dolorosa, calejando-me mais a alma. E não necessito dessa tortura cotidiana para viver o dia de hoje, nem o de amanhã. Eis que o ontem ficou repousado no caderno do primário e não posso modificar a letra, nem pensamentos anteriores, revisando o calendário e colorindo os enigmas da minha antiga mente, como se fosse gibis dessa semana. Posso, mesmo, ter novas figurinhas para completar o álbum da vida. Posso trocar as repetidas. E este dia, descortinado dos antigos segredos não entendidos no dia pretérito, vicejam tão elegantemente enfileirados à frente - degusto o prazer da descoberta e o avançar pelos caminhos de mim.  Os volumes da minha vida, contados em capítulos, são novamente delineados na moda, por fim. Hodiernos pensamentos concatenados desfrutam de uma serena beleza:  a tranquilidade. Não preciso rimar o passado, transpassado, ultrapassado; prefiro o tempo ido, esquecido, guarcenido de novas informações desta exata hora, gerando outras e luminosas emoções. A rima da tríade perfeita. Sinalizo um novo “eu” mais que imperfeito, perfeito de luzes, bordado de sonhos, cozido no diário adolescente da adulta sobrevivente. E assim caminho, com (a) humanidade.

Vincent van Gogh. The Starry Night. Saint Rémy, June 1889

Vincent van Gogh. (Dutch, 1853-1890). The Starry Night. Saint Rémy, June 1889.

Oil on canvas, 29 x 36 1/4" (73.7 x 92.1 cm). Acquired through the Lillie P. Bliss Bequest

*para Silvana M. - quem me deu um novo álbum.



Escrito por Kathy às 12h22
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*Viva*

Que liberdade é esta que me toma

Como um assopro de vento

Rasgando-me o presente

Distribuindo o futuro aos poros?

 

Que encantamento súbito de mim

Proporciona o encontro

Do passado às pazes

Com o ser deixado ao largo, por um sorriso?

 

Que vigor imantado me extingue

Só para me reanimar

No segundo próximo

Do dia anterior?

 

Que loucura é essa

A de ontem sem querer o amanhã

Que tanto desejo hoje

Para logo ser a próxima, novamente?

 

Estou plena de vida.Viva!

 

Aldemir Martins

Mulher Rendeira-1977

 



 



Escrito por Kathy às 17h12
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*calor*

Eu não gosto do calor. Não este do tempo; o abafado das noites de verão aqui de São Paulo, que deixa de ser da garoa, pra não ser de ventos, nem de umidade e sim de ar seco e polido. Mas gosto da irriquietude que ele proporciona. Chacoalhando as idéias e os músculos. Não se pode estar numa mesma posição mais que cinco minutos sem  enjoar. De um calor mórbido. De escorrer suor pela testa. De escorregar por dentro os pensamentos feito manteiga. Sem receita a se seguir. O verão deixa mesmo as mentes baratinadas. E também producentes.

Tranqüila é a sensação de estar sob o ar refrigerado e sentir-se levitar, achar que o mundo é frio , que o tempo não transpira exceto pela telepatia. E se deixa levar pela prazerosa sensação de esfriar-me os calos febris do pensamentos para que se acomodem na brisa superficial Cônsul, sem propagandas.

Consulado mesmo é o das estações mais frias que nos aconchegam em seu braços. Ou melhor nos deixam ao relento de nós mesmos , quando então procuramos abrigo artificial em outros ombros quentes, pés quentes, mesmo com o pé frio da sorte. O frio proporciona a procura e o calor a dispersão. Será?

Mas na dispersão há algo de encontro, que se esparge , se difunde no universo querendo dele fazer parte e dele sair para ventilar-se e sem querer encontra seu pouso. Num cubo de gelo, dentro dum copo de wisky. Mas ainda sou dos vinhos tintos encorpados nas noites em que se fuma sem cigarro.

Eu não gosto do calor, não este do tempo, gosto mesmo é da temperatura elevada do nosso corpo quando se inspira , se regozija numa parcela de felicidade camuflada dentro de nós, e que se nos escapa pelos verões, se nos retêm no inverno. Desculpa calorosa para se exalar bons sentimentos. Seasons, flavors, romance!


Oswaldo Goeldi

CHUVA
circa 1957, assinada
xilogravura a cores, 2/12
22 x 29,5 cm
Coleção Frederico Mendes de Moraes



Escrito por Kathy às 10h40
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*Vovó*

Hoje o dia acordou mais cedo e calmo

para contemplar-te mais, creio eu;

e ler, delicadamente as linhas de teu rosto

que ensinam mais a viver que minha própria vida.

 

E com este convite,

iniciado há noventa anos,

deixo-me seguir por suas finas mãos

de pele rosada e alvejada pelo tempo árduo.

 

Sigo seu compasso, tal qual bailarina,

- não tenho medo -  quando teus olhos me fitam,

eis que já viram tanto e compreendem mais que penso -

sou apenas uma semente diante do seu grande amor.

 

Hoje o dia amanheceu como um só a mais, teu,

um a menos, meu, do que amanhã restará

dos seus bolinhos, bênçãos e orações,

mas sabendo de sua eternidade, marcada pela sua força, tranquilizo-me em seu ventre.

 

Novamente.

*Homenagem a minha amada avó Edith que hoje completa 90 anos de idade  com plena de saúde e rodeada de seus familiares.  Te amo!

*Legenda da Foto - Vovó e seus sete netos.

1.Fabiano; 2.Katie; 3.Gisleyne (Gegê - minha irmã); 4. Vovó Edith; 5. Juliana; 6.Katheryne (eu) 7.Camila e 8.Daniel

foto by Tia Bruna



Escrito por Kathy às 11h24
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 36 a 45 anos, English, Italian, Arte e cultura, Gastronomia, além de ser advogada! knazer@uol.com.br
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