*confio em ti*
Confio em você com devoção;
da fé mais alvejada
no secreto milagre
que nos colocou frente a frente.
É a mais delicada prece
que lhe dedico - ostento
sua imagem dentro da minha,
como quem reza no escuro.
Surpreendo meus pensamentos
atrelados aos seus;
e não estão desacompanhados-
têm sua proteção.
E quando me vejo,
é o mesmo que lhe sentisse:
não pelo que imagino ser (eu),
mas, exatamente, pelo que é (você).
Confiar em alguém é como pertencer. É ter-se dentro do outro com tamanha tranquilidade, que se esquece que sejam duas pessoas. É uma oração, onde se pede e se agradece ao mesmo tempo, no desespero confuso de poder-se tudo. É uma confissão de humanidade. De erros secretos , de prazer ininteligíveis. A confiança é indivisível. Não se mede, não se pede, não se desculpa: existe de “per si”.
Confiar em alguém é doar um pouco de si ao outro. É creditar-lhe seus melhores valores, subtraindo-se seus possíveis defeitos. É a cegueira premeditada e querida que alicerça o mundo. A confiança desfila sentimentos elegantemente sem medo de se tropeçar. Confiar é escrever uma crônica do cotidiano com poesia.
E porque confio não estou só. E estando acompanhada não me divido. A confiança nasce misteriosamente.
Confiar em alguém é o infinitivo de sagrado, se existir. A confiança não se explica em palavras, prosa ou versos. Confiar é um ato de fé. É o encontro natural de seres de vontades respeitadas. A confiança é misericordiosa.
Confiar em alguém é ver-se pelos olhos do outro. E, também, ver-se a si mesmo naquele. É entrega e muitas vezes substituição do existir. A confiança é o olhar mais terno e poderoso sobre o outro. Confiar rima com amar. E não é coincidência.
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Kandinsky, Wassily |
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Composição Clara, 1942 |
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Óleo s/ tela |
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73,0 x 92,3 cm |
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Doação de Francisco Matarazzo Sobrinho
*Entre algumas pessoas especiais em quem confio, este fora inspirado pela Sil M.! |
Escrito por Kathy às 18h12
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