*a serenidade do tempo é um bálsamo*
Guardo a identidade no bolso, não preciso mais das etiquetas, tampouco das datas que refazem os atalhos pelo que cheguei até aqui. Encapsulo a sensação conformadora de que o caminho todo foi necessário , e por uma estranha sensação-sensacional esotérica, como não acreditar em destino?
Acreditaria mais se colhesse mais glórias do que já acumulo, talvez eu não soubesse conduzir, ainda, este ser chamado vida. Na verdade, não me tornei profissional das estradas, apenas escolhi outras, que sendo mais estreitas, me fizeram aprender à força.
E, hoje, os excertos dos dias parecem mais claros e amplos e é sempre a sensação apaixonada do começo.
Às vezes, clandestinamente, recupero frações da memória, mas por sorte ou conseqüência não fazem mais qualquer sentido, nem têm qualquer utilidade atualmente. Decifro, descarto e passo pra próxima atividade deste meu interno mundo.
E não raro surpreendo minha boca num sorriso fácil e real. Domino meu passado e acredito que o acaso nada mais é que a lenda chamada “vida” rebordada por coincidências tristes e alegres que denunciam, ao final, apenas a respiração do ser vivente.
É sempre bom ter nos arquivos dos dias a cartilha pronta para aprender e também o manual para fazer o “certo” – o certo individual – e não cair pisando em poças d’água. Preferível afogar-se no lago próprio dos olhos de onde se vê a saída.
Quando tudo é possível, não há entraves para a mente, a realização de desejos e sonhos é apenas uma certeza condicionada ao esforço pessoal, um dedinho de sorte e muita torcida espiritual.
Posso mudar de casa, como de fato estou, levando uma bagagem muito leve e necessária. O supérfluo, o inútil e tudo o que me causa mal fica por aqui, entre todas as outras coisas que já se destacaram pelos dias. Tudo isso tem cheiro de carro novo. Agora é só dirigir.
A felicidade de Viver- Henri Matisse - 1905
*special thank's: mamy, vó, gê, giu, sil e queridos amigos
Escrito por Kathy às 10h21
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