*Aqui*
Os galhos das árvores se agitam aqui na varanda. E junto com eles meus pensamentos. Eu me sinto bem nesses dias bem frios e com vento, mesmo não tendo dormido a noite toda. É que a Moby estranha a casa nova e cumprimenta, com seus latidos, tudo o que não existia: o vento, o barulhos das árvores, o ruído dos passarinhos, o tac-tac de outra geladeira, o splash do aromatizador. Ela brinca com seus novos amiguinhos, e briga comigo, pois não me deixa fechar os olhos.
Estranhamente fico com um olho fechado (o que quer dormir) e com o outro aberto ( o que não quer ou não pode) e tudo: sons, aroma, companhia ratificam a certeza de que sou uma pessoa muito feliz.
Tudo aqui é bem diferente da outra casa, tanto por dentro como por fora – o mesmo comigo. O de que mais gosto aqui são as varandas e os janelões, onde a Moby bateu seu focinho na tentativa desesperada de sair. Eu, mesma, me divirto com pouca coisa, mas contando que aqui há muita coisa, estou como criança com brinquedo novo, testando tudo, tocando tudo..... e sorrindo e rindo fartamente.
Até o barulho da padaria aqui de frente não me incomoda – é que a funcionalidade da padaria é maior do que o incômodo que seus freqüentadores apresentam. Ouço ao longe o som da rua , das risadas altas, vozes de pessoas enquanto estou entretida dentro de mim, ligeiramente ansiosa pelo dia seguinte, pelas horas seguintes, pelos anos seguintes. Não que tenha pressa de viver e sim prazer em viver.
A certeza de estar onde mais queria estar é um conforto. Chegar em casa é um dos meus prazeres favoritos. E atualmente é um passeio apenas permanecer por aqui. Enfim, estou.

Ademir Martins
(acrílica s/ tela)
Escrito por Kathy às 16h01
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